quinta-feira, 1 de setembro de 2011



Nada em mim faz sentido, a excentricidade dos meus atos incoerente aos meus pensamentos e a maneira como eu ferro quase tudo. Minha felicidade salpicada por tristeza e solidão. A solidão que é a minha melhor companhia, sempre foi. Eu que sou eu, mal consigo lidar com as minhas oscilações ou suportar o meu humor frágil, quem dera mais alguém. Eu sou sensível e insistem em chegar, partir, voltar e me quebrar. Então desenvolvo meu lado cheio de ostentação e a raiva paira no ar, exala de meus pulmões. Sou mista de grosseria e açúcar. Sou péssima. Vagabunda entorpecida por sentimentos e lembranças do que não deu certo. O mundo não consegue me culpar, porém sou minha própia carcereira. Às vezes penso que há algo bom, e deve haver, uma coisinha mínima, mas eu sou ruim, meio amarga. Travo a língua. Fico me esquivando, me esgueirando. Aponto o dedo na cara dos outros mas morro de medo da verdade. Não tenho nada demais e nada de menos. Possuo os defeitos mais detestáveis mas posso ser agradável quando convém. Quase nunca convém. Me estraguei, fui estragada pelo mundo.

Hoje eu acordei numa casa diferente, num quarto diferente, sem nenhuma muleta, sem nenhuma maquiagem, meus amigos estão ocupados, meus pais não podem sofrer por mim. Hoje eu acordei sem nada no estômago, sem nada no coração, sem ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar, sem ter quem culpar. Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz.
Cansou. Vivia a espera de alguém que nunca chegava. A chama de suas esperanças permaneciam sempre acesas, atentas, conectadas ao que poderia acontecer, porém nunca acontecia. Continuava ali, disposta a sempre ficar as margens daquele alguém que a mantia submissa. Amor prório? Ah, aquele havia sido esquecido, deixado de lado por aparentar menos importante. E poderiam se passar cinco minutos, cinco horas, cinco dias, cinco semanas, cinco meses, ou até mesmo cinco anos; ela não se importava, achava que poderia esperar para sempre. Entretanto, um dia, percebeu, que o que esperava talvez fosse inexistente. Aquele alguém estava ocupado, e parecia que não iria desocupar-se tão cedo… então ela percebeu, que era sim, a hora de ir embora e viver a sua vida que havia sido esquecida por tanto tempo. Talvez fosse tarde demais para perceber isso. Mas, melhor tarde do que nunca. Então, partiu. (Nicoli Ferreira)


Eu não quero precisar cortar meus defeitos por causa de alguém, eu quero poder ter orgulho deles por serem exatamente como são. Quero sentir-me bem, por ser assim, tão… indefinida. Protetora a mim mesma, não é egoísmo, é amor próprio. Cansei de juntar os caquinhos e tentar colar para não descobrirem as feridas e consequentemente os pontos fracos. Pois eu, que sempre me mostrei tão auto-confiante e forte, tenho me visto sensível e confusa. Dona das qualidades mais doces, e dos defeitos mais assustadores. Teimosa, estranha e fria. Tenho me estragado, mas vivo me consertando. (Nicoli Ferreira)



Mas eu nunca disse que precisava de caridade, não gosto de nada que chegue a mim por conta de pena, não preciso de um pouquinho de amor para não me sentir mal, não preciso de ninguém pensando que deve ser gentil comigo porque muitas pessoas já foram ignorantes, não quero nada disso. Se for para estar aqui, tem que ser por querer, por se sentir bem perto de mim, tem que ser porque é agradável , tem que ser de coração e não só a presença física, se for for obrigação ou para não ficar com peso na consciência depois, obrigada, mas eu passo.


E eu fico assim, achando que as lágrimas irão lavar a minha alma e resolver os meus problemas. Eu fico achando que tudo vai se ajeitar a cada vez que eu colocar esse sorriso falso no rosto. Eu fico fingindo que tá tudo bem, que as coisas estão ótimas, e que não há problemas, somente vitórias e comemorações na minha vida. Aí eu minto que pouco já é o bastante, que muito me incomoda. Vivo na base dos fingimentos e do “tanto faz”. Fingimento não porque “opto ser falsa”, e sim porque tenho orgulho demais para demonstrar os mais invisíveis sentimentos, egoístas, pequeninos, fuzilados. Passo a maquiagem para esconder as feridas, e puxo lá do fundo o pouco de amor próprio que ainda resta aqui dentro. Eu engano a todos, mas e a mim, como é que faz? (Nicoli Ferreira)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

E daí se eu morrer? Eu vou cuidar de você do mesmo jeito, a única diferença, é que eu não vou deixar que nenhum filho da puta tente te derrubar e te fazer sofrer. Eu vou estar cuidado de você em um lugar melhor. E se sentir minha falta, olhe para o céu, chame por mim, e quando você sentir uma brisa perto de você, sou eu que estou aí do seu lado.